Coleção Odù Àdájo
- Pai Fabio Tadeu

- 5 de abr. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de jul.
Foi lançado o 16º livro da coleção Odù Àdájo completando a obra que une a tradição oral feita por Mãe Stella de Azevedo Santos (Mãe Stella de Òsósi) e a tradição escrita feita por Mãe Graziela Domini de Iemanjá nos ensinamentos de Ifá, nos presenteando com um riquíssimo conteúdo sobre os 16 "odu" consultados no Merindilogum.
Acompanho este trabalho desde o primeiro exemplar - Ófun - lançado ainda por Mãe Stella, como início deste lindo projeto que a Iyá Grazi deu continuidade.
A partir daí, me uni a esta coleção. Uma verdadeira enciclopédia e registro histórico, afirmando e reafirmando que a tradição escrita e oral, juntas, se fortalecem e possibilitam que ensinamentos sejam registrados, compartilhados e perpetuados.
Princípio básico:
Quem tem o que ensinar, ensina.
Quem carrega interesse para aprender, aprende.
A cada exemplar, a cada uma das várias leituras, releituras e estudos, pude trocar com Iyá Graziela muitos ensinamentos, atenção, registros pessoais de mãe Stella que me foram enviados com muito carinho: bilhetes, escritas, vídeos, sempre pronta e imediata no retorno.
Livros de cabeceira.
Tive a honra de ser convidado para escrever a orelha deste último volume que registra Ogbègúndà, o 15º odu do merindilogum.
Normalmente, as orelhas, comuns nas impressões brasileiras, trazem um pouco sobre o autor e a obra. Mãe Graziela seguiu a linha de que, em cada volume, a primeira orelha seria sobre a obra e a segunda orelha fosse escrita por alguém próximo a elas e que, de alguma forma, estivesse envolvido com a coleção (e com elas).
Assim foi nos outros 15 volumes com os Babalorixás Márcio de Jagun, Raimundo T'Aira, Babá Zarcel, compositores, fotógrafos, jornalistas, políticos, irmãos de santo, "povo do afonjá" e da linda Bahia de todos os nossos Santos!
Para o último volume, Mãe Graziela pensou em alguém que tivesse acompanhado com ela o lançamento de cada volume, um a um, os processos, as impressões, a troca, a leitura compartilhada, o entusiasmo e alegria.
Dentre alguns leitores e colecionadores integrais da obra, mais próximos deste dia a dia - cerca de 260 (números dela) - fui convidado em 18/nov/2022 para escrever esta singela orelha do livro que completaria a obra, provavelmente pelo entusiasmo.
De alguma forma, pude estar (aqui pelo Aiyê e no Orun) um pouquinho mais próximo de Mãe Stella e Mãe Grazi, incansáveis companheiras, e de suas formidáveis obras e amor pelo sagrado.
Mulheres fortes, guerreiras, de referência e inspiração!
Compartilho este lindo momento com vocês, que sempre me deram apoio neste tema tão encantador e essencial para as nossas vidas.
Baba àti ìyá mi, kí tò bí mi lo jòó, gbà mi lóní fi dénú
Àwon Ésà kí elésìn Olórun, gbà mi lóní fi dénú
Àwon eégun kí elésìn Olórun, gbà mi lóní fi dénú.
Èsù Bóni Bodè, yàgò
Obs.: a grafia seguiu sem os "pontos" sob algumas letras (e, o, s) por impedimento da ferramenta. Estas vogais, que deveriam ter um ponto sob as mesmas, estão em azul.
Peço com respeito e honra, ao meu criador, Olórun, que gentilmente e com força pura coloque em ordem a minha espiritualidade, pois sou seu filho.
Suplico a meu pai e a minha mãe que me deram nascimento e me educaram, mas que já se foram, que recebam-me eternamente, hoje.
Todos os ministros do reino (de Kétu), que são servos de Olórun, recebam-me eternamente, hoje.
Todos os ancestrais, que são servos de Olórun, recebam-me eternamente, hoje.
Peço licença à Èsù, Aquele que liberta os portais.
Salve Ifá.
Pessoas de mãos dadas, verdadeiramente, caminham sempre juntas.

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