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Pretos velho

Em sua trajetória evolutiva, o ser humano sofre as mais diversas experiências e influências socioculturais. Um dos grandes objetivos nessa trajetória e na busca de suas necessidades primordiais é mantermos o equilíbrio entre o desejo e a necessidade, entre o impulso e a consciência e entre o excesso e a escassez. É necessário desenvolver uma consciência e atenção de que nem todo desejo é incompatível com a necessidade e nem todo impulso é completamente incompatível com a consciência, porém, a busca deste equilíbrio é essencial.


O objetivo desta representação é mostrar que duas forças atuam ao mesmo tempo e quando uma é divergente da outra, principalmente em seus extremos, somente um alto grau de consciência e luz espiritual serão capazes de deter as caóticas emoções imediatistas do desejo, do impulso e do excesso. 


Este teor de consciência e luz espiritual são desenvolvidos na energia primitiva interior do ser humano e que é a grande propulsora da sua evolução espiritual, a qual denominamos como eledá. A qualidade da relação entre o eledá e as forças da natureza é caracterizada pelo bom ou mau desenvolvimento da sensibilidade, ou seja, a captação de energia bruta, sua transformação em energia consciente (idealização) e a transmissão horizontal (realização). 


O universo da espiritualidade é habitado por espíritos nos mais diversos planos vibratórios, denominados entidades de luz ou encantados. Estes seres possuem um grau de sabedoria, consciência e sensibilidade acima dos padrões considerados normais no plano físico. São espíritos de luz que se comunicam através dos canais mediúnicos com o objetivo de auxiliar o ser humano no desenvolvimento do seu plano horizontal. Através da doutrina (disciplina) e ensinamentos que contribuem para a reconexão do ser humano com o seu elemental (o que denominamos de orixá) e à sua origem universal. 


Toda entidade espiritual, através de sua sabedoria, afina-se com uma determinada linha doutrinária de trabalho. Existem seres espirituais, que oriundos das mais diversas camadas sociais e nacionalidades que habitaram o planeta Terra em períodos distintos, após desencarnarem mantiveram a comunicação com os seres encarnados, através dos canais mediúnicos, para ensinarem a importância da relação espiritual aos seres humanos durante a sua trajetória terrena. 


A linha espiritual que muito nos auxilia nos campos da sabedoria (conhecimento transformado em prática, em ação), resistência, cautela, paciência, alegria e a mais elevada consciência do amor, é denominada Linha dos Pretos Velhos. São calmos e transmitem experiência e psicologia filosófica relacionadas aos tempos vividos em sua trajetória eternal. São os senhores da humildade e da sabedoria. A idade é uma experiência da humanidade, porém, por si só, os anos vividos não trazem, necessariamente, estas características. É necessário a aplicabilidade destes conceitos na prática cotidiana. Ancestrais conhecedores da alquimia que transforma amor em ternura,  atuam como mestres ritualísticos por natureza fazendo da sabedoria o método do seu caminho evolutivo. Seu caminhar lento, curvado, porém constante, parece imitar o ritmo do nosso aprendizado e da humildade contida na experiência de vida. São o símbolo e representação da prudência. 


Toda transformação gera perdas necessárias e os Pretos Velhos nos ensinam a lidar com estas perdas e garantir que as transformações sejam o início de um novo e próspero ciclo. Com a implantação de fazendas de gado e da cultura em solo brasileiro, muitas vezes, ou quase sempre, sacerdotes do culto africano chegavam trazidos como escravos pelos navios de contrabandistas e eram levados para os campos de plantio, engrandecendo nossas terras com sua sabedoria e bondade. 


Como paramentos consagrados usam o chapéu de palha, forma folclórica utilizada no Brasil como referência aos trabalhadores do campo que atravessaram o período sombrio da escravização e da colonização. Assim como existe o couro para a linha dos boiadeiros, a palha da costa existe para a Linha de Preto-Velho como fundamento essencial para os seus rituais. Os antigos babalaôs africanos usavam chapéus e filás de palha com búzios para identificar a sua patente, seus fundamentos e proteção. A Preta Velha sofre influência ritualística baiana, usando lenços, aventais e panos da costa. 


São entidades com profunda relação com os orixás Obaluaiê e Iansã e com a calunga pequena (cemitério), local em que são depositados os restos materiais de algo que não possui mais vida, alma, e passam a receber a atuação da decomposição pelos efeitos do orixá Omulu. 


Falange do Povo da Costa

Vibram nas praias com grande influência de Iemanjá. São espíritos negros africanos que trabalham com a transformação dos ensinamentos, que adquiriram através de sua trajetória e evolução (sabedoria), na prática. Nos auxiliam nos momentos de pranto e na transformação que se dá pela resignação e coragem para enfrentarmos momentos de dor e sofrimento, especificamente originários de vidas passadas. 


Falange do Povo do Congo

Vibram nos jardins, praias e campos floridos, com grande relação com a linha das crianças, nos oferecendo a força recém transformada, a força nova e pura, e o sentido de vencer a dor envolvendo a alegria interior. 


Falange do Povo de Angola

Possuem grande relação com as matas e trabalham nos fundamentos da manutenção da força e suas aplicações entre o sagrado, o mundo imaterial e o mundo material. Auxiliam nos sentimentos que aprisionam as pessoas e que foram causados por vícios ou em consequência de atitudes que contenham maldade ou má intenção para com os outros. Se comunicam com muita descontração, transformando todos os sentimentos em positivos. 


Falange do Povo do Povo de Moçambique

Possuem grande relação com as matas conectadas com pedreiras ou simplesmente nas pedreiras. Atuam na magia da transformação das forças cativas para libertas através da paciência em suportar o cerceamento do direito da liberdade do ser humano, portanto, possuem grande relação com o tempo. 


Falange do Povo da Guiné

Possuem grande relação com entidades que auxiliam na cura dos males físicos através da magia e do conhecimento adquiridos através dos tempos. Trabalham no cruzeiro dos cemitérios (cruzeiro das almas santas) ou no mar. 


Falange do Povo de Luanda

São entidades com alto teor de sensibilidade para a caridade. Se apresentam combativos e exigentes com a execução dos rituais, contudo são extremamente bondosos e generosos. Usam seus profundos conhecimentos de rituais para combater demandas e influências negativas. Sua grande ferramenta é a força contida nas rezas, ladainhas e engorocis que, normalmente, são carregados de muita magia e sabedoria. 


Falange do Povo de Benguela (Angola)

Possuem grande relação com as colinas floridas e nos auxiliam na missão de compreender o que representa a incerteza, a falta de resignação e o sofrimento. Compreendem que muitos seres encarnados são levados ao erro e ao desespero pelo excesso de amargura. Desenvolvem uma energia que transmite a paz e a compreensão, incentivando a caridade.


Algumas das entidades (encantados) utilizam os substantivos mãe, pai, vó, vovó, vô, vovô, tia ou tio, acrescentando ao nome as nações angola, congo, nagô, luanda, cambinda, nomes de santos católicos, de ervas ou de orixás, ou referências como almas, matas, Bahia, aruanda, entre outros, e se apresentam como: 


Ana Anastácia Angola   Antônio Arruda Barbina Benedito(a) Bento(a) Bina Cambinda Catarina Celestino(a) Chico(a) Cipriano Congo Florêncio Francisco(a) Guiné

Inácio Jacinto Joaquim(na) João Joana José

Josefa Juvêncio Mané Manuel Maria Mariana Severino(a) Tomé Tibúrcio Zeca Zefinha entre outros...


Ervas consagradas para a linha dos pretos velhos: arruda, guiné, alecrim, lavanda, manjericão, vassourinha branca, cambará, alfavaca, benjoim e café. 


Ouçam os pontos cantados da Linha dos Pretos Velhos em nossa apostila.


 
 
 

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